14 de setembro de 2008




Tenho um sol que muda, no ambiente de trabalho do meu computador. Na verdade, é uma coisa virtual que anuncia o tempo que está e o que será. Mas gosto de o ver, a lembrar-me que estou na Terra, e que do lado de lá destas paredes, desta música que ouço na net, das letras com que me cruzo, há uma rua, pessoas e uma temperatura diferente da que tenho neste escritório.
Hoje, aceitei ir à praia. Estava à espera de ser uma coisa saudosa, com o Verão morto, para trás das costas, o banho eventualíssimo. Afinal, foi um dos melhores dias do ano, a água estava límpida, a praia com o número certo de pessoas e até sandes de atum em pão alentejano comi. Escrevo isto e penso num dos comentários do post anterior: o que fazer quando tudo falha? E penso que a resposta é aceitar que não sabemos tudo o que nos espera, nem controlamos o sol, ou a rotina dos nossos domingos. Há coisas que estão para lá das nossas certezas e vivê-las também faz parte do grande pacote de estar vivo.

8 comentários:

salamandrine disse...

e onde é que se arranja esse sol?

estas 4 paredes também precisam de um ;)

Lúcia disse...

Com grande simplicidade resume esta coisa de estar vivo. E a nossa missão não é mais do que aproveitar essa dávida - nas pequenas coisas também e, às tantas, sobretudo. Como o sol e como essas sandes de atum em pão alentejano. Momentos. Lindos e vivos. Como um momento a ler este post. Que apela à vida vivida. Gracias.

joao disse...

compreendo a atractividade e o excitamento q a ideia "mudar de vida" provoca.. lembra-me do habito q tinha em crianca de tentar mudar de rumo, mudando a disposicao do meu quarto!

mas, lembro-me tb q a frescura daquele novo contexto rapidamente se ia... quem esta de mal com a vida esta-lo-a' com quem, e onde quer, q esteja...

a verdadeira batalha talvez se trave dentro de nos (mas n sei como ainda). a mudanca de contexto podera' vir a ser uma consequencia desse exercicio introspectivo.


ha uns tempos atras p.c. falava aqui da importancia de se conseguir ser "resilient" em tempos adversos. penso q e' oportuno apelar novamente a esse faculdade psicologica.

upss.. daqui a um bocado ja n precisamos de ler os tais livros de meditacao... ficamos mesmo por aqui :)

gato-bravo disse...

Parece-me a mim, visitante ausente por muito tempo, que voltei num belo momento. Mudaram os tons mas estão mais bonitos...O projecto de um livro deixa-nos contentes...e o resto... são umas misteriosas manchas solares que entretanto descobri serem campos magnéticos...
:)
saudades

P. C. disse...

Para o João.
Não há incompatibilidade entre o conceito de resiliência e o acto de conscientemente mudar de vida. Aliás, pela minha experiência, são complementares, já que quando nos atiramos no escuro, raramente a recompensa surge logo. É como quando se abre uma porta sobre a noite. Às vezes está a chover, frequentemente sopra um vento forte. Sai-se, porque é melhor ir à procura que ficar entalado entre as paredes. Mas, sim, é preciso desenvolver esse lado de resistência à adversidade imediata em troca da liberdade interior.

T disse...

E eu que tenho tanto vício da mudança, quanto medo?

Já tive forças para mudar tanta coisa na minha vida e na minha maneira de estar, ser e pensar, e agora parece que estou em coma...

agent disse...

Se não for no sol e em tudo o que ele ilumina onde podem os grandes escritores encontrar as suas fontes de inspiração?

P. C. disse...

t: o estado comatoso atinge-nos a todos, mesmo aos mais fortes. Temos dias. O importante, do meu ponto de vista, é que para chegar ao mar, alguém terá de de iniciar o movimento para o retirar da areia ;)

agent: os escritores encontram inspiração sobretudo no resto; na sombra; no invisível. Porque sabem que a imagem das coisas iluminadas não passa de um artíficio do próprio sol...